A Era da Terceira Idade
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Uma das maiores conquistas que o século passado viu acontecer foi a do aumento, em muitos países do mundo, da esperança média de vida. Em consequência, aumentou o número de pessoas com idades avançadas.
O crescimento exponencial deste número, coloca-nos a meio caminho entre 1985 e 2025 de uma realidade que tem já consequências sérias sobre o bem-estar de cada um de nós e da humanidade em geral. |
Parte 1
Assim, importa refletir no fato de que VIVER EM ABUNDÂNCIA não pode ser somente sinônimo de viver mais, em quantidade de anos. Não, isto apenas não é o suficiente. É importante equacionar esta realidade para além da quantidade, usufruindo de qualidade de vida na abundância da mesma. Não existe, nas sociedades atuais, conhecimento bem experimentado sobre as condicionantes do envelhecimento das populações. Assim, é importante considerar primeiramente a realidade que se apresenta. Seguidamente, perceber que partido pode ser retirado desta realidade para garantir uma vida abundante. Finalmente, perceber as ameaças que pairam sobre esta conquista e empreender estratégias para reformular a engenharia social atual, de modo a proporcionar vida com QUALIDADE NA QUANTIDADE.
Do que tratamos quando falamos do aumento da esperança média de vida?
Devido ao desenvolvimento social (em torno das condições de saneamento das cidades, de alimentação, habitação, cuidados de saúde que implicam na diminuição da mortalidade de pessoas com 65 anos ou mais) os seres humanos, que ao longo dos últimos 4 mil anos se habituaram a ver poucas pessoas de idade maior, em menos de 100 anos vêem o seu tempo de vida praticamente duplicar. No entanto, isto não é ainda a regra no mundo inteiro: existem países, sobretudo na África, nos quais a esperança média de vida é igual a que existia em Portugal durante a Idade Média, cerca de 30 anos.
A importância de projetos que visem uma efetiva qualidade de vida:
É importante olhar para além dos números e perceber a realidade que se esconde por detrás do crescimento populacional de pessoas com idade maior, isto se quisermos enfatizar a prevenção de problemas sérios. Uma reengenharia social é urgente, não só ser pensada, mas principalmente ser implementada quanto antes.
Mas o que é o envelhecimento?
Existem inúmeras definições e compreensões sobre algo que é recente nas sociedades humanas. O “envelhecimento humano pode ser definido como o processo de mudança progressivo da estrutura biológica, psicológica e social dos indivíduos que, iniciando-se mesmo antes do nascimento, se desenvolve ao longo da vida”. A questão do envelhecimento é considerada atendendo a três aspectos que são vistos, não só como uma meta a atingir, mas também como uma responsabilidade coletiva e individual: a saúde, a autonomia e a independência.
Na base deste foco está a “questão de pensar o envelhecimento ao longo da vida, numa atitude mais preventiva e promotora da saúde e da autonomia; de que a prática de atividade física moderada e regular, uma alimentação saudável, o não fumar, o consumo moderado de álcool, a promoção dos fatores de segurança e a manutenção da participação social são aspectos inseparáveis”. O aspecto que deve ser observado é o de entender que não existem situações inatingíveis na vida de uma pessoa – embora a sociedade tenha criado algumas barreiras a esta visão com a definição, por exemplo, da idade de 65 anos. Considerar então, como “saída” um pensamento contínuo para cada período da vida, o qual são ativados de modo correto os recursos disponíveis, é a chave para integrar corretamente qualquer fase da vida de uma pessoa. Associado ao conceito de envelhecimento anteriormente referido, está o conceito de envelhecimento ativo, um dos pontos mais importantes abordados na 2.a Assembléia Mundial sobre o Envelhecimento organizada pela Organização Mundial de Saúde.
Chamar a atenção para esta área, leva-nos a considerar uma das condições que ameaçam a realidade de um envelhecimento ativo sob o ponto de vista social, psicológico, físico ou espiritual. Não é fácil para uma pessoa que vê partir um dos seus mais chegados amigos, manter-se socialmente ativa, procurando novas amizades e estabelecendo relações sociais. A tendência é o ostracismo em seguida a depressão, o recolhimento sobre si mesmo, as suas memórias, o seu passado. Para além da perspectiva social, existem outras que devem ser consideradas. Mas, sobre isso vamos tratar na segunda parte desta matéria, na nossa próxima edição.
Fontes: Luís Nunes - Sociólogo da Medicina e da Saúde Mestre em Saúde Pública, no site www.saudelar.com.